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Outras Modalidades - Autorama de Fenda


INTRODUÇÃO: A EVOLUÇÃO DOS CARROS NA AMÉRICA

Inicialmente o automodelismo de fenda é aquele praticado em pistas com 4 a 8 fendas e controles afixados na mesma, o que é mais conhecido como autorama. Vamos rever e fazer a reconstituição da evolução do autorama, aos idos de 1967, nos EUA. O forte eram os pequenos carros de HO com pistas fantásticas no melhor estilo dos trens elétricos, com morros, pontes, etc. As corridas eram com carros de 1/32 em linha. Já existiam, todavia, os "sidewinder" em 1/24 como o Snake, da Vampire.

Mas o forte mesmo eram os carros de 1/32 com carrocerias duras, como o Dino Ferrari, da Cox que está na foto obtida na Model Car de Fevereiro de 1967.

Os principais fabricantes eram a Cox, com os Cheetah (1/24), os Ford GT (1/32) e os BRM (1/24). A Cox tinha ainda o chassi "Cucaracha" que veio a ficar famoso no Brasil. A Dynamic tinha chassis e motores diversos com os especiais Russkit, os motores Mabuchi 26D, o Renegade, etc. A Revell tinha os Ford GT, o Lotus 30, o Chaparral e o Cobra todos em 1/24. A Atlas tinha o Lynx, o McLaren e o Lotus 30. A Aurora tinha o Ford GT, o Pontiac, o Mustang e o Cobra. A Strombecker tinha o Porsche Carrera 6, tanto em 1/32 como em 1/24. O Monogram apresentava o Vampire em 1/24 como motor Monogram colocado atravessado. Mas havia muitos outros modelos.

A excelente foto dá uma idéia de como eram os carros da época, 1/32, em fevereiro de 1967.

Os motores mais usados eram os Mabuchi, os Cox, os Pittman, etc. Os reostatos mais usados eram os da Cox, o da Revell e o especial MRC. As transmissões eram por rosca sem fim e as carrocerias em plástico duro. Um carro futurista para a época era o Stinger, 1/24, com motor atravessado (sidewinder) e carroceria que levantava a traseira, fazendo um grande flap de freio. O motor era um Mabuchi 36D. À venda já existiam rolamentos, rodas de alumínio, eixos especiais, etc. Os pneus principais eram os Riggen e o Weldun. 


Foto do 1ª carro 1/24 de sucesso
como sidewinder, 
pilotado por Gene Husting.


Embaixo, o carro vencedor, 
de Mike Steube, com rodas 
Associated e pneus Weldun.

Algumas relíquias para os que gostam dos carros antigos, que fizeram história.


Cox TTX com motor 
de 28000 rpm, 1968


Honker



Ferrari



Chassis D. Morrissey 
Group III, 1969



Um Mirage visto por baixo



Os 1/24 de Vitucci, Cukras 
e Bob Cozine, dominaram as corridas por muito tempo

 


O SURGIMENTO DO AUTOMODELISMO DE FENDA NO BRASIL

Um dos primeiros carros no Brasil foi da Estrela, o Corvette Sting Ray e uma Fórmula, denominada de Lotus 38, com carroceria de plástico duro. Os pneus eram de 24 mm de largura, em borracha. Os motores usavam rosca sem fim. Depois apareceram os Scaletrix, importados, com coroa e pinhão. A Estrela lançou então, a Berlineta, já com coroa e pinhão. Os carros da Cox, especialmente o Ford GT, já usavam coroa e pinhão com relações intercambiáveis, tudo em 1/32. O primeiro 1/24 foi o chassi Cucaracha, americano, com motor Champion "barriquinha" (tinha esse nome porque era meio arredondado, parecendo uma barrica). Surgiu também um carro com tração nas 4 rodas, que não cheguei a ver. O motor "Barriquinha" usava induzido 26D, sendo feito especialmente para andar nos chassis Cucaracha. Posteriormente, todos os motores passaram a usar induzido 16 D.

Conforme noticia a Sport Modelismo, em novembro de 1967 surgiram os carros da Atma, com o Atma Pista e carros de 1/32 conforme se vê na foto. Eram cópias fieis dos carros norte-americanos.

São Paulo era o centro mais avançado com grandes pistas e muitas corridas. Havia até a Federação Paulista de Modelismo, que realizava as provas da categoria.

Nas "12 Horas Scorpius" realizada em dezembro de 1967, a própria equipe da casa foi a vencedora pela terceira vez.

Aqui vão mais algumas lembranças daquela época.
 

Depois foi a vez de aparecerem os chassis do Maeda, considerados uma evolução para a época, 1/32 em linha, como todo mundo usava. Apareceram então os chassis "SideWinder", 1/24, cujos motores ficavam paralelos ao eixo traseiro. O grande problema era colocar o motor paralelo ao eixo que era muito grande e você tinha que aumentar o diâmetro da roda. Os primeiros motores para esses carros usavam induzidos 36D, um monstro.

Com isso surgiu a solução de se angular o motor para facilitar sua colocação no chassis. Foi à partir daí que surgiram os chassis com motores transversais, por uma necessidade técnica originada dos carros "SideWinder". O primeiro chassis transversal foi o Elder, seguido do Monogram e do Champion, em linha, que foi adaptado para usar motor transversal.

No Brasil, os primeiros carros de 1/24, de linha foram os Sebring e Paraíso, paulistas, em 1/24. Até então os 1/24 eram americanos. Mas os primeiros desses carros a rodarem com os motores transversais fora construídos em casa, pelos próprios pilotos, como Alfonso, Jacó e Tota, no Rio. Além disso o Maeda que era o único fabricante de carrocerias no Rio, passou a fazê-las para usar nos chassis 1/24, embora não os construísse. Eram os Chaparral 2F.

Num segundo momento, o Militante passou a fazer também chassis para motor transversal, mas em 1/32. Só bem mais tarde o Sérgio passou a construir os carros de 1/24. 

Na época em que comecei, todo mundo que corria de Força Livre, usava motor reenrolado pois diziam que as pistas não comportavam carros com motores muito fortes. Comecei a importar motores e com eles andava na frente de todo mundo e, acabou o negócio de enrolar motores e todo mundo passou a comprar motor original. 

Isso foi na época da Hobby Sport, idos dos anos setenta e poucos, e um dos primeiros a ser muito usado foi o de Grupo 20, aquele de cabeçote vermelho, da Mura. Foi depois que vieram os demais motores e mais tarde sua separação por categorias de motores como G. 20, G 12, G 15, G2, etc. 


Fotos meramente ilustrativas


Fotos meramente ilustrativas

Depois disso veio a época do Std, motor fabricado no Brasil pela Oxford, para a Fábrica da Estrela. Eram de baixa qualidade, enrolados com fio 32. Para melhorar um pouco seu desempenho, o Geraldo criou o HS que usava enrolamento de fio 30 e o Classe 100, com fio 29, mantendo-se a caixa e demais componentes do Oxford. Todos levavam o selo da loja e não era mais permitido aos pilotos enrolarem os motores. Havia uma lógica nisso, seguindo o padrão internacional e nivelava bastante as provas. A sorte estava em comprar um bom induzido e montar o motor com a melhor qualidade, caso de Paulo Miran, do Amilcar, do Miram Neto, e outros que sabiam como ninguém montar um motor. Essa montagem fazia a diferença.


 


(Os textos aqui lançados foram compilados do livro "O Autorama: uma paixão", de autoria do nosso colaborador J. A. da Silva Ramos. O livro está disponível, inclusive para download, no site "
www.silvaramos.com.br". Aqui estão apenas as partes da história do automodelismo nos EUA e no Brasil, desde os seus primórdios.)
 


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