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Outras Modalidades - Autorama de Fenda


AS PRIMEIRAS COMPETIÇÕES NO BRASIL

Nos anos 70, quando comecei, as provas na Hobby Sport eram realizadas com os pilotos tomando tempo em 10 voltas contra cronômetro e quem fizesse o melhor tempo escolhia a pista em que ia largar. Não era fácil dar 10 voltas sem errar e era comum haver dois ou mais pilotos com o mesmo tempo. Até porque os cronômetros da época não eram os mais perfeitos. A "pole" podia determinar o resultado da corrida pois não havia revezamento de pista. Você corria os 15m minutos da prova na mesma fenda. Quem errasse menos numa das melhores fenda ganhava a corrida. 

Durante muitos anos tais provas foram realizadas às 6ª feiras, às 18 horas, com duração de 15 minutos sempre andando na mesma fenda. As provas acabaram sendo assim em todas as pistas no Rio. Em São Paulo já havia troca de fendas. Com o tempo, comecei a insistir para que passasse a haver a troca de fendas na H Sport. Essa troca, até então, só existia nas provas longas e era feita de 1 a 1, ou seja da pista 1 você ia para a 2 e assim sucessivamente.

Já em São Paulo, o sistema era o europeu com a troca de fendas de 2 a 2 ou seja, você andava na fenda 1 e ia para a 3 e depois para a 5 e assim sucessivamente. Isso impedia que um piloto fosse colocado ao lado do outro para bater nele e impedi-lo de ganhar a prova. Com a troca alternada de fendas cada piloto anda com o outro à sua direita e à sua esquerda, havendo equidade nas provas. Os mau caráteres ficaram prejudicados. Lutei muito e inicialmente só consegui que isso ocorresse nas provas de Classe 100, na H Sport. Na Shalako, onde corriam os carros de G 0 já havia esse sistema. Só no 1/32 a coisa estava difícil. Nas corridas de Std então, foi muito difícil convencer os pilotos que o melhor sistema era a troca de fendas. Custei mas consegui!

As primeiras pistas no Rio de Janeiro

Foi a revista Sport Modelismo de setembro de 1967 que nos deu a notícia de que havia então uma pista no Autorama Center Tijuca, onde eram realizadas corridas. Essa pista era na Rua Barão de Mesquita e freqüentada por uma grande turma, como Alfonso, Pedro Paulo, Murtinho, Boca, Borel e outros onde não cheguei a competir. Era uma boa pista, já com fendas com tape e construída em madeira. 

A prova de 25-08-67 foi dividida em 3 baterias de 15 minutos cada e a vitória foi de Jaime Mano, com 218 voltas usando um Dino Ferrari, motor Large Nascar, pneus U-Go e chassis tubular Cox. Os chassis Cucaracha chegram em 2º, 3º e 4º. A primeira grande pista que me lembro foi a de Copacabana, a Hobby Center, pista do Menezes, na Av. Barata Ribeiro, na galeria do cinema Bruni Copacabana. Ali estive apenas uma vez assistindo a uma corrida. Ela era em plástico com 4 fendas e tinha o tape de metal. Usava o próprio trilho do Autorama Estrela. Isso foi por volta de 1965. Depois veio a pista do ACB, na Voluntários da Pátria, em Botafogo, onde também estive apenas umas duas vezes, mesmo morando ali perto. Era outra pista de 8 fendas, em madeira.

A próxima pista foi a do Madureira Center, em 1969, pertencente ao Maeda em sociedade com o "Borel" conhecido piloto da época; desfeita a sociedade, Maeda continuou no ramo enquanto o Borel desapareceu. Era um circuito de 9 fendas, enorme, com uns 75 metros de extensão. Havia também uma pista que não conheci, no Clube Botafogo, onde a Estrela realizou o 1º Campeonato Nacional Estrela. Houve ainda um circuito itinerante que apareceu no Pavilhão de São Cristóvão, por ocasião da anual Festival da Criança, isso de 1969 a 1972. Não cheguei a conhecê-la.

Depois surgiu a pista da Hobby Sport, na Rua Conde de Bonfim 685, sobreloja, pertencente ao Maeda, uma pista de 4 fendas apenas, onde iniciei minha carreira de piloto, começando com os Standard e depois Classe 100. A medida em que comecei a organizar as coisas, tornei obrigatório a todos, começarem como Principiantes, com os carros Std. Essa talvez tenha sido minha primeira medida realmente importante. Aliás isso vigorou durante muitos anos e até em outros circuitos do Rio. 

Esse início na Hobby Sport foi a época de grandes pilotos, como Sérgio "Militante", o grande gênio da preparação de carros e motores; Sérgio Homem, da turma meio rebelde; Iran Roberto e Luiz Antônio "Buda", também criadores de casos, mas o Buda era pessoa sensata além de bom piloto; o próprio Maeda, indiscutivelmente o melhor preparador de carros e motores; o Jairo "Sabão", arruaceiro e bagunceiro e que não era muito bem visto face seu caráter rebelde e violento; havia um rapaz, também rebelde, pequenino e baixinho chamado Flávio "Cabeludo" que, todavia era um bom piloto; seu amigo Waltinho Daver, outro piloto razoável era uma pessoa tranqüila; eles dois chamavam-se de Equipe ASF, uma dissidência da Equipe Marte, do Maeda; tivemos ainda o Alfonso que já era um dos mais experientes pilotos; tivemos depois o volta de pilotos como Pedro Paulo e Murtinho, bem da velha guarda; William James, o "Cabelinho", conhecido piloto de motocicletas; perdoem-me aqueles que esqueci o nome.

A velha pista da Hobby Sport, já na era Geraldo.

Nesse meio tempo, a fábrica de Brinquedos Estrela empenhada em promover o autorama, o brinquedo principal da Estrela realizou o 1º Campeonato de Autorama no Brasil. Foi construida na sede do Clube de Regatas do Flamengo, uma grande pista de 8 fendas, onde realizou-se o 2º Campeonato Nacional Estrela, com garotos de todas as idades. Foi ali que conheci um garotinho chamado Marcos, filho do Newton, que começava a se interessar pelo esporte. A partir daí formaríamos a Equipe Silva Ramos. Face gostar do esporte, passei a ajudar na organização das provas da Estrela.

Aqui vão mais algumas lembranças daquela época.

Por essa época promovi uma corrida de nível nacional, para carros de Classe 100, com 1 hora de duração, com a participação das principais equipes de São Paulo, convidadas, como a Sebring, e outras, tendo vindo ao Rio os principais pilotos paulistas, como Ivair, Plínio. Menos de um ano depois desse grande campeonato Newton colocou outra pista, menor e em forma de oito, na sede do Flamengo, na Gávea, numa meia água construída para o novo evento. Ali foi realizado o 3º Campeonato Nacional Estrela.

Campeonato Nacional Estrela: muitos cobras de hoje correram

Foto meramente ilustrativa

Foi quando apareceu a pista do Méier, em 1974, na Rua Dias da Cruz onde tem até hoje um shopping com o curso Oxford. Era um circuito de apenas 4 fendas, pequeno e só para carros de 1/32. Depois o Sérgio mandou construir uma pista de 6 fendas, em 1955, com um retão que dava gosto de andar. Esse retão que era maior que o da Hobby Sport, permitia grande velocidades para a época. Algum bons pilotos surgiram na época, como José Menezes, que começou e logo ficou meu amigo. Amilcar Amarante também começou naquela época e a pista durou uns 2 anos. 

Depois dali, surgiu uma loja chamada a Estrela é o Limite, numa praça em Niterói, ao lado da Prefeitura. Era uma loja pequena com um mini-circuito mas as pessoas começaram a aparecer por lá e o Sr. Paulo Maurício, o dono da loja alugou uma sobreloja ali perto, na Av. Amaral Peixoto e mandou fazer uma grande pista de 8 fendas, muito larga, para carros de 1/24, com o eucatex do piso usado de forma invertida o que desgastava demais os pneus usados na época e as vezes eram necessários até 2 pares de pneus para uma corrida de sprint. A voracidade com que a pista destruía os pneus era impressionante. 

Grandes corridas foram realizadas naquela fabulosa pista. Os melhores pilotos do Brasil lá estiveram: Ivair veio varias vezes; a Equipe Hollywood, parte da grande equipe de automobilismo, também correu mais uma prova; chegaram haver provas com mais de 12 equipes o que eqüivale e dizer que, na época, muitas equipes foram a Niterói e nem chegaram a correr pois só competiam 8 e as que não conseguiam fazer um dos 8 melhores tempos não participavam. 

Em seguida uma pista foi colocada no Estádio de Remo da Lagoa, para o Fittipaldi Motor Show, onde estive apenas em uma corrida de sprint e a pista, como chegou, sumiu sem que dela se soubesse mais. Alfonso, Pedro Paulo e Delano e Jacó entre outros, correram nela. O motor era um Steub especial. Uma corrida em especial, é lembrada por todos: as "6 Horas do Rio de Janeiro" para Força Livre, vencida pelo Maeda com Amauri em segundo. O circuito seguinte foi o da Conde de Bonfim, na Galeria do Bruni Tijuca, a Hobby Sessão, do Henry e Johnson. Era um circuito de 4 fendas, construído por eles mesmos. Depois, o Alfredo e o Walter, construíram outra pista, com 5 fendas, ainda pequena, colocada num canto da loja mas que, por causa de seu tamanho, tinha muita curvas fechadas e era difícil. O piso também era muito duro o que tornava difícil a condução dos carros. Os Classe 100 nem corriam lá, somente os Std. 

Grandes pilotos viriam a surgir dali: João Alfredo, que se tornou grande piloto e mecânico; Carlos Neves, hoje dono de pista em Miguel Pereira; Fausto Pinto, Marcelo Berolatti, Carlos Penna "HP" e outros. Depois foi a vez de aparecer a pista da Hobby Show, do Kiko e do Magno, na Rua Souza Franco, transversal da Av. 28 de Setembro, com uma pista de 4 fendas para carros de 1/32, com o João Alfredo como mecânico principal. Essa pista, aliás como as demais da época, usava contador de voltas mecânico. Num segundo momento foi construída outra pista, para 6 carros, bem melhor do que a primeira. A loja ficou por ali por menos de 1 ano.

Foi em 1982 que surgiu D. Hildete, com a Shalako, no Largo do Machado, na Galeria Catete, usando a velha pista do Méier de 6 fendas. Alguns meses depois mudou-se para o Grajaú, na Rua José Vicente 74, onde ficou alguns anos até ser vendida ao Flávio Márcio e tornar-se a Grid. Ali foi erigida a primeira pista fixa de 8 fendas do Rio, um sucesso que durou vários anos. 

Muitos bons pilotos se formaram ali, concorrendo a Shalako com a Hobby Sport em número de participantes, só que naquela haviam apenas carros de 1/24 na Shalako. Foi nessa época que se tornou marcante a divisão dos carros em categorias estanques: no 1/32, há anos existiam o Std e o Classe 100; no 1/24 tinha os G 0 e os demais foram divididos em G 12 e G 20.

A partir de então ocorreu uma grande mudança no autorama que foi a saída do Maeda do cenário, com o Geraldo assumindo a loja e construindo uma pista grande, com 6 fendas, um retão muito bom, porém com piso muito duro que exigia pneus macios. Era uma pista construída em madeira da melhor qualidade, cavernada, sem defeitos. Bastava trocar o tape e estava nova. Ali foram realizadas grandes provas, inicialmente dentro do sistema de 15 minutos direto numa fenda e, depois de muita resistência, introduzi o sistema de troca de fendas alternadas, no Classe 100. No STD custei muito a conseguir que fosse aceito esse sistema.

Recordação da velha pista da Hobby Sport, com a presença do Marino (1º à esquerda) que perdeu o Campeonato Carioca de Principiantes para o Pedro Silva porque, na última fenda, soltou uma das rodas do seu carro.

Nessa época, havia o Std, com motor fabricado no Brasil pela Oxford que eram de baixa qualidade, enrolados com fio 32. O Geraldo criou o HS que usava enrolamento de fio 30 e havia ainda o Classe 100, com fio 29. Todos levavam o selo da loja e não era mais permitido aos pilotos enrolarem os motores. Havia uma lógica nisso, seguia o padrão internacional e nivelava bastante as provas. A sorte estava em comprar um bom induzido e montar o motor com a melhor qualidade, caso de Paulo Miran, do Amilcar, do Miram Neto, e outros que sabiam como ninguém montar um motor. Essa montagem fazia a diferença.

Em Maricá surgiu uma pista de 8 fendas com um traçado excepcional, sendo um retão com um relevê seguido de outro retão e uma curva em 180 graus com pequeno relevê e depois de uma reta pequena, uma curva de 180, plana, difícil, seguindo para o outro lado com um retão dando numa outras curva elevada que saia na entrada da retão. Era excelente pista com grandes corridas. Infelizmente a pista durou pouco tempo. Em Petrópolis havia a pista do Casarini, no caminho para o Bingen, pequena de 4 fendas, chamada Hobby Mania. Durou pouco tempo e nem cheguei a conhecê-la. Outro circuito surgido na época foi o de Friburgo, numa loja em frente a um flipper, isso por volta de 1986.

Depois, dois rapazes que correram na loja antiga de Niterói, o Wellington e o Paulo e que também correram na velha pista da "Estrela é o Limite", conseguiram comprar o que restava daquele maravilhoso circuito e o remontaram no estacionamento do Plaza Shopping, em Niterói, na Rua da Conceição. A loja se chamava "Pit Stop". A pista estava cheia de defeitos e era muito difícil se conseguir andar bem. Estivemos em várias corridas, mas dava vontade de desistir face às ondulações do circuito.

Foi quando o Francisco Pinheiro, que viria a ser o dono da pista de Miguel Pereira, reformou o piso da pista e a tornou excelente novamente, com a vantagem de ser lisa e de boa aderência, sem desgastar demais os pneus como antigamente. Todavia a "Pit Stop" trocou duas vezes de lugar no shopping pois ocupava muito espaço e o empreendimento acabou falindo. Mas ali se formaram alguns bons pilotos como Eduardo Sá, de quem falaremos adiante.

Ainda por essa época, José Luiz Miloski, ex-chefe de equipe da Brahma-Casari, equipe de automobilismo, tinha seus negócios em Petrópolis e em seu posto de gasolina, situado na Estrada Rio Petrópolis, via Quitandinha, perto do Parque Cremerie, havia um grande estacionamento subterrâneo que foi aproveitado com uma excelente pista, com sistema informatizado com uso de Apple, antigo, cujo programa foi feito por um rapaz petropolitano. Era chamado de Pônei Autorama, pista para 8 carros com um retão e uma série de meias curvas no lado oposto, que ficou sinuoso e difícil, terminando numa grande bola que dava acesso de volta à reta dos pilotos. A pista era seletiva e foi sucesso durante alguns anos.

Num segundo momento ele ainda tentou melhorar as coisas, comprando uma segunda pista, pequena, para 4 carros (acho que seria a velha pista do Casarini), que seria para as crianças brincarem e treinarem. Todavia o péssimo estado daquele pequeno circuito não agradou a ninguém e as crianças só queriam andar na pista grande e boa. De qualquer forma, o empreendimento já estava comprometido. Foi a primeira loja do Estado a ter duas pistas. César, Amilcar, Nelsinho, Blotta e outros eram as "feras" que andavam por lá.

Circuito da Ponei, em Petrópolis.

Foto meramente ilustrativa

A Cokpit foi outra pista de curta duração. Situada em Itaipu, distrito de Niterói, ficava bastante longe do Rio mas era uma boa pista, com 8 fendas e disputava com Petrópolis, a preferência dos pilotos. A pista praticamente sobrevivia de corridas pois o poder aquisitivo local era baixo e havia pouco publico em geral. A loja não resistiu. Petrópolis teve ainda a "Gil Mania" pequena pista para 4 carros, situada num subúrbio daquela cidade e que não fez competições de vulto e o pessoal que corria nem chegou a ir lá. Teve vida curta.

Nessa época o Hotel Buscky, em Nova Friburgo, já tinha uma pequena pista para 4 carros para diversão dos seus hóspedes. A pista estava lá até bem pouco tempo atrás. Surgiu também em Nova Friburgo, uma grande loja, do Álvaro, que usou a pista que fora de Itaipu, mas o circuito não resistiu ao forte inverno friburguense e entortou, inviabilizando o empreendimento.

Depois de fechada a loja do Miloski, a Pônei, a pista ficou encostada à espera de algum candidato. Foi quando o Vinícius Moretson, filho do Moretson, da Hobby Sport, apareceu em cena, trocou o nome da loja para Station Hobby, apresentou mirabolantes idéias, comprou a pista petropolitana, fez uma diminuição da bola que era grande demais para o espaço da loja. O computador Apple, que era do Miloski, continuou servindo, mas pouco tempo depois a máquina, antiga e deficiente, quebrou a tive que me deslocar à Petrópolis e conversar com o rapaz que montou a máquina e fez o software para consertá-la. Era um pessoa muito jovem, técnico em informática, que conhecia razoavelmente seu ofício e consertou o computador, refez o programa e me entregou tudo para remontar na Station Hobby, o que fiz. 

As provas recomeçaram na pista da Tijuca mas notou-se que o Vinícius sequer havia entregue os prêmios do campeonato que já havia sido realizado. Com isso começou um mal estar geral. Felizmente, o rapaz afastou-se da loja e eu pude realizar o maior campeonato que já havia sido feito no Rio de Janeiro: o campeonato carioca de 1995 com 6 categorias correndo em muitas pistas diferentes.

Surgem várias pistas

Um pouco antes de voltar a correr com constância, verifiquei que havia aparecido na Hobby Sport um rapaz comandando as corridas, chamado Paulo Miram: um bom piloto e bom organizador. Aliei-me a êle e voltei, pouco a pouco, a comandar as corridas, passando a ele minha experiência em organização de provas. 

Novas pistas foram surgindo. A Shalako foi vendida e tornou-se a Grid, agora na Rua José Vicente e passamos a dedicar-nos mais a 1/24 que foram tomando espaço dos carros de 1/32. Passados alguns anos, a velha pista de 6 fendas da HS foi substituída pela pista da Pônei Autorama, de Petrópolis, um enorme circuito de 8 fendas informatizado, com 33mm de extensão que pertencia ao Miloski e era apenas para os 1/24. O filho do Moretson, Vinícius, assumiu o controle; o Cláudio Amoy "Barba" entrou com algum dinheiro na pista e a loja passou a chamar-se Station Hobby. 

As provas cessaram, os pilotos e clientes sumiram, até que reassumi e voltei a fazer as corridas com muitos pilotos. Chegamos a uma era mais moderna, com o surgimento de várias pistas. 

Surgiu uma pequena pista em Miguel Pereira, a Twins GP, do Francisco Pedrosa, rapaz que era conhecido por consertar máquinas de lavar roupa. Francisco tinha sido o responsável por refazer o piso da pista de Niterói, da Pit Stop. Um circuito para 6 carros, foi construído em material leve que empenava e o retão era em descida indo para a bola. A pista tinha defeitos mas boas corridas foram realizadas lá. Fiz corridas com mais de 15 pilotos que iam do Rio para Miguel Pereira. Depois foi o Alexandre Muniz, conhecido piloto da Station Hobby e da Grid que ficou com a velha pista de 6 fendas da Station Hobby e a colocou no River Clube, na zona norte da Cidade. O Clube, todavia, não tinha qualquer estrutura e a pista só funcionou por uns 3 meses. 

Daí, surgiu na Av. Copacabana, numa galeria, o Autorama Gigante, em Copacabana, pista do Luiz Augusto e sua mulher, Claudia, que ele chamava a todo instante de "amor"; isso era motivo para muitas piadas entre o pessoal; a pequena pista de 6 fendas, em forma de oito, também construída em material de segunda categoria, empenava muito. Um circuito fácil, rápido, para os carros de 1/32. Os G 0 de 1/24 e os Nascar andavam lá mas a pista não era boa para eles.

Depois, veio a Marcas e Pilotos, em Petrópolis, pista de alta com um esse no meio da reta tornando-a difícil. Ficava num shopping e tinha muito movimento. Otávio e seu sócio comandavam tudo, com bom atendimento. Muitas grandes corridas foram realizadas naquele circuito. O pessoal do Rio subia em peso para as provas de lá. Com o crescimento do autorama, as provas importantes foram se multiplicando. 

Foi também nessa época que a Grid trocou sua pista e colocou um excelente circuito para 8 carros, informatizado, em forma de 8 comprido e com a volta em forma de esses para se entrar no retão dos pilotos. Ali estava o segredo da pista: quem era rápido ali era rápido na pista.

O circuito da Grid com uma das corridas de maior público: Nascar

Em São Paulo, apesar da crise financeira, algumas lojas conseguiram resistir ao tempo e - merecido registro - a Red Fox do Luiz "Gugu" Bernardino, é uma delas. Até pista para eventos o Gugu criou. Em uma ocasião, essa pista foi montada no saguão do Hotel onde estavam os pilotos de Fórmula 1 e houve uma corrida com a participação de alguns deles, sendo uma brincadeira que antecedeu ao Grande Prêmio. Os carros e reostatos ficavam nas fendas e os pilotos trocavam de pista. Até o locutor Silvio Luis participou da alegre brincadeira.

Esta pista foi construída para eventos como o da F-1 em São Paulo: isto é - era facilmente desmontável.


 


(Os textos aqui lançados foram compilados do livro "O Autorama: uma paixão", de autoria do nosso colaborador J. A. da Silva Ramos. O livro está disponível, inclusive para download, no site "
www.silvaramos.com.br". Aqui estão apenas as partes da história do automodelismo nos EUA e no Brasil, desde os seus primórdios.)
 


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